Além de deputado, TH Joias também era traficante, aponta denúncia do MPF
Por Redação

As novas informações apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado estadual TH Joias indicam que sua suposta participação no crime organizado ia muito além de relações com integrantes do Comando Vermelho. Segundo a acusação, o ex-parlamentar teria participado diretamente de negociações envolvendo drogas, controlado pagamentos de vendas de cocaína e mantido uma grande quantidade de entorpecentes sob sua guarda.
Entre os elementos reunidos pelos investigadores está uma planilha identificada como “PÓ AMIGO TH”, que, segundo o MPF, teria sido utilizada para acompanhar valores relacionados à venda de cocaína. A documentação apresentaria datas de pagamentos e o saldo que ainda deveria ser quitado pelo comprador.
Um dos episódios descritos na denúncia teria ocorrido em novembro de 2023. De acordo com os procuradores, mensagens trocadas entre TH Joias e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio, apontado como integrante da logística da organização criminosa, indicariam uma negociação de cocaína para uma pessoa que não foi identificada.
Outro trecho da investigação chama atenção pela quantidade de droga mencionada. Em fevereiro de 2024, TH teria enviado a Índio imagens de uma sala ocupada por vários sacos contendo entorpecentes. Na sequência da conversa, o então deputado escreveu que havia “200kg”. Para o MPF, o material é um dos indícios de que TH mantinha aproximadamente 200 quilos de drogas sob sua guarda com finalidade comercial.
Há, no entanto, uma divergência na descrição do entorpecente. Relatos sobre a denúncia apontam que, em determinado momento, o material é tratado como cocaína, enquanto a descrição das imagens faz referência a maconha.

A acusação ainda relata outro episódio, ocorrido em junho de 2024, no qual TH teria procurado Índio para oferecer cocaína e atuado como intermediário de um fornecedor não identificado. Embora não tenha sido comprovado que a negociação terminou com a entrega da droga, o MPF sustenta que a própria oferta integra as condutas previstas no crime de tráfico.
Os procuradores atribuem ao ex-parlamentar três episódios de tráfico de drogas. TH também responde, entre outras acusações, por organização criminosa, comércio ilegal de armas e munições, 11 episódios de contrabando e 13 de corrupção ativa.
As acusações fazem parte dos desdobramentos da Operação Zargun, que investigou uma organização ligada ao Comando Vermelho e sua suposta infiltração em estruturas do poder público. Segundo o MPF, dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), assessores ligados a TH teriam negociado munições de uso restrito, intermediado vendas de drogas e utilizado o gabinete parlamentar para acomodar indicações ligadas à facção.
A denúncia foi recebida por unanimidade pela 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), fazendo com que TH Joias e outros acusados se tornassem réus. O recebimento da denúncia significa que as acusações passarão a ser analisadas no processo criminal e não representa uma condenação definitiva.
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