Café amargo: Câmara do Rio pode gastar mais de meio milhão de reais com cafezinho
Por Redação

A conta do cafezinho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pode chegar a mais de meio milhão de reais. A Casa mantém em vigor atas de registro de preços para a compra de café, açúcar e adoçante, com valor estimado de R$ 535.075,20.
A contratação foi realizada por meio do Pregão Eletrônico para Registro de Preços nº 90016/2025, no processo CMRJ 1511/2025. As atas permanecem vigentes ao longo de 2026 e permitem que a Câmara faça as compras conforme a necessidade.
O valor, no entanto, não significa que os R$ 535 mil já tenham sido efetivamente gastos. Por se tratar de uma ata de registro de preços, o montante representa um limite estimado para futuras aquisições. A Câmara pode utilizar todo o valor, apenas parte dele ou até deixar de comprar determinados quantitativos previstos.
Mesmo assim, a cifra chama atenção pelo tamanho. O valor corresponde apenas a itens básicos de consumo, como café, açúcar e adoçante, em uma instituição que conta com 51 vereadores e uma ampla estrutura administrativa.
Além dessa contratação, a Câmara mantém outras despesas relacionadas à alimentação de servidores, parlamentares e participantes de atividades institucionais. Uma apuração anterior identificou um empenho de R$ 54.950, em 2026, ligado à empresa JG Tech, mas o pagamento se referia a kits parcelados de alimentação saudável e não exclusivamente à compra de café.
Esse contrato foi prorrogado por mais 12 meses, a partir de 18 de fevereiro de 2026, por meio do Termo Aditivo nº 05/2026 e do Empenho nº 171/2026.
Para saber quanto do limite de R$ 535 mil do cafezinho já foi realmente utilizado, é necessário analisar as notas de empenho, liquidações e ordens de pagamento vinculadas ao processo CMRJ 1511/2025. Sem esses registros, não é correto afirmar que todo o valor previsto já saiu dos cofres públicos.
O caso reforça a necessidade de diferenciar o valor estimado de uma ata do gasto efetivamente realizado. Ainda assim, o teto autorizado levanta questionamentos sobre os quantitativos previstos, o consumo mensal e os critérios usados pela Câmara para calcular uma despesa que pode ultrapassar meio milhão de reais.
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