Candidatura de neto de Luizinho Drumond é barrada pelo TRE-RJ com base em relatórios de inteligência
Por Redação

A disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro teve novos desdobramentos judiciais envolvendo o cenário político da segurança e da contravenção. Por maioria de 5 votos a 2, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu rejeitar o registro de candidatura de João Felipe Drumond Espínola (PRD) ao cargo de deputado estadual.
O julgamento, que ocorreu nesta sexta-feira (11), concluiu que os relatórios e elementos de inteligência apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) apontavam indícios de ligação do candidato com atividades ilícitas. João Felipe é neto de Luizinho Drumond, bicheiro morto há seis anos, e sobrinho de Vinícius Drumond, apontado como integrante da cúpula atual do jogo do bicho no estado. Contudo, os magistrados ressaltaram que o parentesco por si só não foi o único fator para a barreira, pesando também o teor das provas técnicas trazidas pela acusação.
A divergência que formou a maioria foi aberta pelo desembargador Fernando Cerqueira e acompanhada pelos magistrados Guilherme Calmon, Bruno Bodart e Fábio Ribeiro Porto. Para Calmon, os indícios apresentados pelo MPE demonstrariam o interesse da cúpula da contravenção em impulsionar a candidatura, classificando as evidências como robustas. O entendimento isolou a relatora do processo, desembargadora Tathiana de Carvalho Costa, que votou pelo deferimento sob o argumento de que a Justiça não pode punir candidatos preventivamente por laços familiares ou ausência de provas materiais de envolvimento direto.
Na mesma linha de acusação, o MPE sustentou que a campanha estaria se valendo de estruturas da escola de samba Imperatriz Leopoldinense em comunidades e apontou proximidade política com outra candidatura barrada no mesmo dia, ligada a investigados por atuação em facção criminosa. A defesa negou as acusações e destacou a formação acadêmica de João Felipe em Direito pela PUC e pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas, frisando que ele não responde a inquéritos criminais e que sua relação com o Carnaval limita-se à relevância cultural da festa.
Com a decisão desfavorável no TRE-RJ, o registro do candidato segue rejeitado, cabendo ainda recursos às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
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