Maricá recebe bilhões do petróleo, mas Quaquá ainda deve avanços em serviços básicos
Por Redação

Quase R$ 2 bilhões em royalties do petróleo entraram nos cofres de Maricá apenas nos primeiros sete meses de 2026. A arrecadação coloca o município na liderança nacional dos repasses às cidades, mas a disponibilidade de dinheiro ainda não se traduz em acesso universal a serviços básicos. Sob o comando do prefeito Washington Quaquá (PT), Maricá convive com baixa cobertura de esgotamento sanitário e relatos de moradores sobre demora para conseguir consultas na rede pública.
Entre janeiro e julho, o município recebeu R$ 1,907 bilhão em royalties. A receita reforça a capacidade de investimento da prefeitura e amplia a responsabilidade da administração em apresentar resultados compatíveis com os recursos disponíveis.
O saneamento expõe uma das principais dificuldades. Em abril de 2026, a própria prefeitura informou que apenas 16% do esgoto produzido na cidade era tratado. A meta anunciada pelo governo municipal é chegar a 54% de cobertura de esgotamento sanitário até 2028. Mesmo que o objetivo seja cumprido, o atendimento ainda estará longe de alcançar toda a cidade.
Uma base anterior, identificada como SINISA 2024, apontava que somente 12,5% da população era atendida com esgotamento sanitário, enquanto a média estadual chegava a 61,5%. Naquele levantamento, 185.542 moradores estavam fora do serviço de coleta de esgoto. O abastecimento de água alcançava 78,3% dos habitantes, também abaixo da média fluminense, de 92%.
Os dados retratam períodos e medidas diferentes, mas mostram a dimensão do déficit que a administração precisa enfrentar. A infraestrutura disponível ainda não acompanha as necessidades de uma parcela expressiva da população.
Na saúde, moradores relatam dificuldades para agendar consultas. Ao mesmo tempo, as previsões orçamentárias mostram mudanças na distribuição dos recursos: o valor destinado à área passou de R$ 1,555 bilhão em 2024 para aproximadamente R$ 1 bilhão em 2026. No mesmo intervalo, o orçamento da Comunicação Social subiu de R$ 71 milhões para R$ 99 milhões.
Os números correspondem a previsões de despesas e não significam, necessariamente, os valores efetivamente gastos. A prefeitura informou que as despesas liquidadas na saúde foram de R$ 1,167 bilhão em 2024 e R$ 1,045 bilhão em 2025. A administração atribuiu a alteração orçamentária à extinção da Fundação Estatal de Saúde de Maricá, a Femar. A comparação, por si só, não permite concluir que houve redução proporcional nos atendimentos.
Para enfrentar as carências de saneamento, o governo municipal afirma que mais de 300 quilômetros de rede foram implantados desde 2021, período que inclui obras anteriores ao atual mandato de Quaquá. Também estão previstas ampliações de estações de tratamento e novas ligações de imóveis ao sistema.
Em Santa Paula, uma das intervenções anunciadas contempla 32 quilômetros de tubulações, com previsão de beneficiar mais de 14 mil moradores. O alcance desse atendimento depende da conclusão das obras, da operação das estruturas e da conexão das residências.
Apesar dos problemas, o município mantém políticas que oferecem benefícios diretos à população, como o transporte municipal gratuito e a Renda Básica de Cidadania. Em maio de 2026, o valor informado pela prefeitura era de R$ 230 mensais em mumbucas por beneficiário. O programa atende moradores inscritos no CadÚnico, com cadastro atualizado e renda familiar mensal de até três salários mínimos.
A administração também aposta em empreendimentos como o Porto de Maricá, o complexo turístico-residencial MARAEY e o Plaza Maricá Shopping para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Segundo a prefeitura, os projetos têm potencial para gerar cerca de 40 mil empregos. O número é uma projeção, não um total de vagas já criadas.
A existência de programas sociais e de obras em andamento não encerra a discussão sobre as prioridades do município. Com receitas bilionárias, a gestão Quaquá tem o desafio de acelerar a expansão dos serviços e demonstrar que os investimentos chegam aos moradores que ainda esperam por saneamento e atendimento de saúde.
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