MP tenta barrar candidatura de pastor do PT acusado de liderar “narcomilícia” no Rio
Por Redação

O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura à reeleição do pastor evangélico e deputado estadual Renato Machado (PT-RJ), sob a acusação de que o parlamentar seria o líder de uma “narcomilícia” com atuação em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. O município é considerado seu principal reduto eleitoral.
Formado em Teologia, Renato Machado já comandou a Secretaria de Assuntos Religiosos da Prefeitura de Maricá antes de ocupar outros cargos na administração municipal. Ele foi eleito deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em 2022.
O pedido de impugnação foi apresentado em agosto e ainda precisa ser analisado pela Justiça Eleitoral. Portanto, a candidatura do parlamentar não está definitivamente barrada. De acordo com os dados eleitorais disponíveis, seu registro aparece como “aguardando julgamento”.
Segundo informações divulgadas pela coluna do jornalista Tácio Lorran, no Metrópoles, o MP Eleitoral sustenta que um grupo armado ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP) seria “capitaneado” pelo pastor e deputado. A liderança operacional da organização, conforme a acusação, ficaria a cargo de Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como Rodrigo Negão.
Rodrigo é descrito pelo Ministério Público como o “principal aliado e braço armado” de Renato Machado. Ele morreu em setembro de 2024 e, por esse motivo, deixou de responder a um dos processos relacionados às investigações.
A suposta organização criminosa seria responsável pela exploração clandestina de serviços de internet e televisão a cabo em Maricá. O grupo também estaria envolvido com a venda ilegal de cigarros e o comércio de drogas, atividade que, segundo o MP, estaria relacionada à ligação com o TCP.
A acusação afirma ainda que integrantes da organização agiriam contra pessoas que se opusessem aos seus interesses. Entre os episódios mencionados no pedido de impugnação está o assassinato do jornalista, advogado e empresário Robson Giorno, executado a tiros em maio de 2019, na porta de casa, em Maricá.
Renato Machado chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, em julho de 2024, como suposto mandante do homicídio. Na ocasião, o MPRJ sustentou que o então vereador teria ordenado a morte em represália às reportagens publicadas pelo jornalista.
A denúncia também incluía Vanessa da Matta Andrade, conhecida como Vanessa Alicate, e o policial militar reformado Davi de Souza Esteves, chamado de subtenente Davi. O processo foi recebido pela Justiça em setembro de 2024.
Em junho deste ano, entretanto, o juiz Felipe Carvalho Gonçalves da Silva, titular da Vara Criminal de Maricá, decidiu pela impronúncia dos três acusados. Na prática, o magistrado concluiu que as provas reunidas não eram suficientes para submetê-los a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A decisão destacou que parte da acusação estava baseada em relatos informais que não foram confirmados durante o processo. O juiz também apontou contradições e uma posterior retratação do principal informante utilizado na investigação.
A impronúncia não equivale necessariamente a uma absolvição definitiva. Ela significa que, naquele momento, não foram encontrados elementos suficientes para levar os acusados a júri popular. A decisão ainda pode ser questionada por recurso e, caso surjam novas provas, o processo pode ter outros desdobramentos dentro dos prazos legais.
Após a decisão, Renato Machado afirmou no plenário da Assembleia Legislativa do Rio que foi alvo de uma acusação “indevida” e de motivação política. O pastor e deputado disse ter enfrentado anos de desgaste pessoal e político e comemorou o entendimento da Justiça.
Agora, o caso voltou ao centro da disputa eleitoral depois de ser citado pelo Ministério Público no pedido de impugnação do registro. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio decidir se os elementos apresentados são suficientes para impedir Renato Machado de concorrer à reeleição.
Até a última atualização, não havia sido localizada uma manifestação específica da defesa do parlamentar sobre o novo pedido do MP Eleitoral. Renato Machado já negou anteriormente qualquer participação no assassinato de Robson Giorno e qualquer ligação com organizações criminosas.
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