Mulher aponta como suposta amante de Castro ocupou cargo no governo do Rio
Por Redação

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-governador Cláudio Castro (PL) revelaram uma relação de proximidade entre ele e uma ex-servidora comissionada do Governo do Estado do Rio. Em uma das conversas, ocorrida durante uma viagem a São Paulo, ela se refere ao político como “meu amor”.
As informações foram divulgadas pelo jornalista investigativo Ruben Berta, da coluna Sem Filtro, do Portal Ururau. Os diálogos foram incluídos nos documentos da Operação Sem Refino 2, que investiga suspeitas de favorecimento ao Grupo Refit durante a gestão de Castro. O conteúdo veio a público após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo do processo.
A troca de mensagens aconteceu no dia 26 de abril, quando os dois estavam no Hotel Emiliano, estabelecimento cinco estrelas localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo. Bruna informou que havia acabado de chegar ao hotel e aguardava a liberação do quarto, afirmando que ficaria no bar tomando espumante.
Castro respondeu que chegaria em breve. Na sequência, a advogada escreveu: “Tá bom, meu amor. Tomara que o seu libere antes”. Posteriormente, o ex-governador teria enviado o número de um quarto e pedido que ela fosse rapidamente até o local.
Apesar do tratamento íntimo, os documentos divulgados não afirmam que os dois mantinham um relacionamento amoroso. Bruna também não é investigada pela Polícia Federal. Nas redes sociais, entretanto, ela passou a ser apontada como suposta amante do ex-governador, informação que não foi comprovada oficialmente.
A conversa foi usada pela PF para confirmar que Castro estava hospedado no hotel onde recebeu uma encomenda de caviar avaliada em R$ 10,5 mil. Segundo a investigação, o produto teria sido pago por Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo, apontado como possível operador financeiro de um esquema envolvendo o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit.
Bruna ingressou no governo estadual em abril de 2021 como coordenadora de Apoio a Investimentos da representação do Rio em Brasília. Meses depois, foi promovida a superintendente de Projetos e Investimentos, função que exerceu até novembro de 2022. Quando deixou o cargo, sua remuneração era de aproximadamente R$ 13,3 mil.
O irmão da advogada, João Gabriel Ribeiro Lacerda, de 26 anos, também possui vínculo com o poder público. Desde fevereiro de 2025, ele está lotado na liderança do PL na Câmara dos Deputados, com salário informado de cerca de R$ 11 mil. Antes disso, trabalhou no gabinete do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ).
Outras mensagens entre Castro e Bruna foram analisadas no contexto de uma casa em Petrópolis. Em fevereiro, o ex-governador teria falado sobre “minha obra” e mencionado a construção de uma nova adega. Para a PF, as conversas reforçariam a suspeita de que Castro seria o verdadeiro proprietário do imóvel, embora a residência estivesse formalmente vinculada a terceiros.
A defesa do ex-governador nega participação em lavagem de dinheiro, recebimento de vantagens ou favorecimento à Refit. Sobre o caviar, afirmou que a encomenda havia sido feita por um amigo e que Castro apenas retirou os produtos, consumindo uma unidade com autorização do comprador.
Os advogados também sustentam que os imóveis citados na investigação eram alugados por meio de contratos regulares e que os contatos mantidos com representantes da Refit foram institucionais. Bruna Ribeiro Santana não havia apresentado manifestação pública sobre as mensagens até a divulgação da reportagem.
Cláudio Castro é casado há 19 anos com Analine Castro, com quem tem dois filhos.
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