O Rio precisa mudar a régua
Por Eduardo Azevedo

No Rio, a indignação política muitas vezes tem lado: o que é escândalo quando envolve o adversário vira “erro”, “perseguição” ou “exagero” quando atinge o aliado. Essa régua moral seletiva corrói a confiança pública e transforma princípios em instrumentos de conveniência.
O maior problema da política fluminense talvez não seja apenas quem está no poder, mas a facilidade com que parte da sociedade abandona seus próprios critérios para proteger o grupo que apoia. Se corrupção, privilégios e acordos de bastidores são inaceitáveis, precisam ser condenados independentemente de quem os pratique.
Durante anos, ouvimos discursos contra corrupção, privilégios e acordos de bastidores. Mas a pergunta é simples:
Continuamos indignados quando essas práticas acontecem perto de quem apoiamos?
Combater a corrupção apenas quando ela está do outro lado não é defender princípios. É combater adversários.
O Rio já enfrentou escândalos, investigações e crises envolvendo diferentes grupos políticos. Por isso, denúncias e suspeitas devem ser apuradas com transparência, provas e respeito ao devido processo legal, sem blindagem partidária nem tratamento seletivo.
É importante lembrar: investigação não é condenação, denúncia não é prova definitiva e prisão cautelar não substitui julgamento. Mas a presunção de inocência também não pode servir para impedir apurações ou ocultar informações.
Partidos, alianças e discursos mudam. A régua, não.
Se é errado para o adversário, também precisa ser errado para o aliado.
Democracia não pode ser torcida organizada. Político não precisa de fã, mas de fiscalização. Partido não merece cheque em branco: precisa prestar contas.
O futuro do Rio não será construído apenas com a troca de personagens, mas também com a mudança daquilo que aceitamos deles.
O estado precisa de segurança, saúde, educação, emprego e desenvolvimento. Mas precisa recuperar algo essencial:
confiança.
E a confiança pública começa quando os princípios deixam de ter lado.
Direita, esquerda ou centro passam. Governos e eleições também.
Mas a nossa consciência precisa permanecer.
O Rio não precisa apenas escolher novos caminhos. Precisa decidir quais comportamentos políticos nunca mais aceitará normalizar.
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