TRE-RJ rejeita candidatura de Mariana após acusações de vínculos com o Comando Vermelho
Por Redação

A Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro rejeitou, por unanimidade, o pedido de registro de candidatura de Mariana de Souza, que tentava disputar uma vaga de deputada federal pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (11), após o TRE-RJ acolher uma ação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
No processo, o MPE reuniu documentos e informações que, segundo o órgão, apontam para possíveis vínculos da candidata com pessoas ligadas ao Comando Vermelho. O caso passou a integrar o grupo de candidaturas analisadas pela Justiça Eleitoral do Rio por suspeitas relacionadas à influência de organizações criminosas no processo político.
O relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, votou pelo indeferimento do registro e foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte. Entre os elementos citados durante o julgamento está a relação de Mariana com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu”.
De acordo com o Ministério Público, Wilson é apontado por autoridades de segurança de Alagoas como integrante de posição relevante dentro da estrutura do Comando Vermelho no estado. Ele teria condenações que, somadas, ultrapassam 32 anos de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de ser considerado foragido da Justiça.
A Procuradoria informou ainda que Mariana mantém relacionamento com Wilson e que os dois têm um filho. Durante o julgamento, o relator afirmou que a candidata teria apresentado versões diferentes sobre a relação ao longo do processo, ponto que também foi considerado na análise do registro.
O Ministério Público sustenta, no entanto, que a impugnação não foi baseada apenas na relação pessoal entre os dois. A acusação reuniu outros elementos que, na visão da Procuradoria, justificariam uma análise mais rigorosa sobre eventual risco de interferência do crime organizado na atividade política.
Entre esses elementos está um relatório de inteligência em que uma liderança criminosa identificada como “Nem Catenga” teria mencionado a importância de o grupo possuir representação política e uma “voz ativa”. O documento foi incluído pelo MPE para reforçar a tese de que organizações criminosas buscariam ampliar sua influência institucional.
A atuação empresarial de Mariana também foi mencionada. Segundo o Ministério Público, ela é proprietária da empresa Império do Norte Ltda., localizada próxima à JF Organizações e Eventos, firma que, ainda de acordo com a acusação, teria sido aberta por Wilson com uso de identidade falsa.
Outro ponto levantado envolve movimentações financeiras. O MPE informou que Mariana utilizaria seis contas bancárias e defendeu o aprofundamento da análise sobre a origem e a circulação de recursos. Essas informações fazem parte da acusação e não significam, por si só, uma condenação criminal.
A atuação da candidata no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, também entrou no processo. Mariana é apontada como presidente do Centro Comunitário Superando Juntos, entidade com atividades em áreas como Vila Cruzeiro e Parque Proletário.
A Procuradoria considerou ainda o desempenho eleitoral anterior da candidata. Segundo os dados apresentados no processo, 81,3% dos votos recebidos por Mariana na eleição municipal anterior ficaram concentrados em bairros da Zona Norte apontados pelo MPE como áreas sob forte influência do Comando Vermelho.
Também foram analisadas doações de campanha que somam R$ 14,5 mil. O Ministério Público afirmou que parte dos doadores apresentaria condição econômica incompatível com os valores transferidos ou apareceria em registros relacionados a investigações criminais.
Ao fim do julgamento, o TRE-RJ decidiu encaminhar informações ao Ministério Público Eleitoral para que também seja examinada a conduta partidária relacionada ao lançamento da candidatura.
O presidente do tribunal, desembargador Claudio de Mello Tavares, voltou a destacar durante a sessão a preocupação da Justiça Eleitoral com qualquer tentativa de interferência de organizações criminosas no processo eleitoral.
O caso de Mariana de Souza faz parte de uma série de impugnações analisadas no Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Pelo menos 15 candidaturas foram questionadas pelo Ministério Público Eleitoral por diferentes motivos, entre eles suspeitas de ligação com tráfico, milícia, contravenção e outros grupos criminosos.
A decisão do TRE-RJ atinge o registro eleitoral de Mariana, mas não representa condenação criminal pelas acusações apresentadas no processo. A defesa ainda pode recorrer às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
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