Baixada Fluminense registra alta de 57% nos tiroteios em agosto
Por Wagner Paim

A violência armada avançou de forma significativa na Baixada Fluminense em agosto. Dados do Instituto Fogo Cruzado mostram que a região concentrou cerca de um em cada quatro tiroteios registrados em toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro durante o mês.
Foram contabilizados 55 tiroteios nos municípios da Baixada, média de quase duas ocorrências por dia. O número representa crescimento de 57% na comparação com agosto de 2025, quando haviam sido registrados 35 episódios de violência armada.
O aumento também aparece no número de vítimas. Em agosto do ano passado, 34 pessoas foram baleadas na Baixada Fluminense, sendo 24 mortas e dez feridas. No mesmo período deste ano, o total subiu para 47 vítimas, com 28 mortos e 19 feridos, alta de 38%.
Em toda a Região Metropolitana do Rio, o Instituto Fogo Cruzado registrou 211 tiroteios ao longo de agosto. Desse total, 26% ocorreram na Baixada Fluminense, formada por municípios como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Queimados, Mesquita, Nilópolis, Magé, Japeri, Guapimirim, Itaguaí, Paracambi e Seropédica.
Os 211 episódios registrados no Grande Rio deixaram 147 pessoas baleadas. Ao todo, 82 morreram e 65 ficaram feridas. Sozinha, a Baixada respondeu por aproximadamente 32% de todas as vítimas atingidas por disparos de arma de fogo no período.
Segundo o coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, Carlos Nhanga, a situação na Baixada está relacionada a fatores como desigualdade social, disputas territoriais entre grupos armados e a presença de facções do tráfico e milícias.
Para o instituto, políticas de segurança pública voltadas apenas para ações policiais não são suficientes para enfrentar o problema. A entidade defende a ampliação de políticas sociais e do acesso da população a serviços básicos, além de estratégias de segurança que reduzam os confrontos armados.
Agosto também foi marcado por um número elevado de pessoas baleadas durante roubos e tentativas de assalto no Grande Rio. Vinte pessoas foram atingidas nesses crimes, com seis mortes e 14 feridos.
Outro dado destacado no levantamento é o número de vítimas de balas perdidas. Nove pessoas foram atingidas dessa forma durante o mês, o equivalente a aproximadamente duas ocorrências por semana.
Entre os municípios da Região Metropolitana, a cidade do Rio concentrou a maior quantidade de tiroteios, com 134 registros, correspondentes a 63,5% do total. Na capital, 43 pessoas morreram e outras 41 ficaram feridas.
Duque de Caxias apareceu em seguida, com 19 tiroteios, 13 mortos e dois feridos. São Gonçalo teve 11 tiroteios, seis mortos e três feridos. Niterói registrou sete confrontos e quatro mortes.
Nova Iguaçu contabilizou sete tiroteios, uma morte e cinco feridos. São João de Meriti também teve sete ocorrências, com uma pessoa morta e cinco feridas.
O levantamento mostra ainda que alguns bairros tiveram concentração elevada de episódios de violência armada. Centenário, em Duque de Caxias, liderou a lista, com oito tiroteios, oito mortos e um ferido.
Na cidade do Rio, Andaraí registrou sete tiroteios e duas mortes. Cascadura teve sete ocorrências e uma pessoa ferida, enquanto Cordovil contabilizou sete tiroteios, uma morte e dois feridos.
A Taquara teve seis tiroteios, com cinco pessoas mortas e quatro feridas. Vigário Geral também registrou seis ocorrências durante o mês.
Os dados fazem parte do monitoramento realizado pelo Instituto Fogo Cruzado, organização que reúne e disponibiliza informações sobre violência armada em diferentes regiões metropolitanas do país por meio de uma plataforma própria e de registros verificados de tiroteios.
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