Flávio Bolsonaro encerrará ciclo de mais de duas décadas em cargos eletivos
Por Eduardo Azevedo

Derrotado na disputa presidencial, parlamentar poderá continuar exercendo o mandato no Senado até janeiro de 2027, quando encerrará uma trajetória de 24 anos consecutivos em cargos eletivos.
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República em 2026 marca o início de uma nova fase em sua carreira política. Após mais de duas décadas ocupando cargos eletivos, o senador ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027.
Apesar do resultado das urnas, Flávio Bolsonaro não perde imediatamente sua cadeira no Senado Federal. Como a legislação brasileira permite que senadores disputem a Presidência sem renunciar ao mandato, o parlamentar poderá continuar exercendo suas funções normalmente até 31 de janeiro de 2027.
Flávio Bolsonaro pode continuar no Senado após a eleição?
Sim. A candidatura à Presidência da República não exige o afastamento definitivo de senadores de seus cargos.
Eleito em 2018 para representar o Rio de Janeiro no Senado Federal, Flávio Bolsonaro possui mandato de oito anos, iniciado em fevereiro de 2019 e com encerramento previsto para janeiro de 2027.
Dessa forma, mesmo após a derrota eleitoral, o parlamentar mantém o direito de exercer suas atividades legislativas até o fim do mandato. Caso tenha se licenciado temporariamente durante a campanha, poderá reassumir suas funções.
Fim de uma trajetória de 24 anos consecutivos
A carreira política de Flávio Bolsonaro começou nas eleições de 2002, quando foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro aos 21 anos.
Ele permaneceu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) durante quatro mandatos consecutivos, entre 2003 e 2019.
Em 2018, conquistou uma vaga no Senado Federal, ampliando sua atuação política para Brasília.
Com a decisão de disputar a Presidência em 2026, Flávio não concorreu à renovação de sua cadeira no Senado. Assim, o encerramento do mandato em janeiro de 2027 interromperá uma sequência de 24 anos consecutivos no Poder Legislativo.
O que acontece com o foro privilegiado em 2027?
Outra consequência da saída do Senado será a mudança na situação jurídica do parlamentar.
A partir de 1º de fevereiro de 2027, Flávio Bolsonaro deixará de possuir o foro por prerrogativa de função associado ao exercício do cargo de senador.
Isso significa que eventuais novos fatos, sem relação com o exercício anterior de funções públicas, não estarão automaticamente sujeitos à competência especial decorrente de seu mandato parlamentar.
Entretanto, a perda do cargo não representa o fim do foro privilegiado em todas as situações.
Segundo o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a prerrogativa pode continuar válida para processos envolvendo crimes supostamente praticados durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas, mesmo após o término do mandato.
Portanto, a competência judicial deverá ser analisada individualmente, conforme as circunstâncias de cada caso.
Qual será o futuro político de Flávio Bolsonaro?
Mesmo fora do Congresso Nacional, Flávio Bolsonaro poderá continuar participando das articulações do Partido Liberal e das discussões políticas no Rio de Janeiro e em âmbito nacional.
A diferença é que, a partir de fevereiro de 2027, sua atuação ocorrerá sem uma cadeira no Legislativo e sem as prerrogativas vinculadas ao exercício atual do mandato de senador.
O encerramento desse ciclo representa um marco na trajetória do político, que, desde sua primeira eleição em 2002, manteve uma sequência ininterrupta de mandatos públicos.
Após 24 anos no Poder Legislativo, Flávio Bolsonaro se prepara para iniciar 2027 em uma condição inédita em sua carreira: sem mandato eletivo, mas ainda com espaço para atuar no cenário político brasileiro.
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