Levantamento aponta R$ 184 milhões em verbas públicas previstas para entidades ligadas a filme sobre Bolsonaro
Por Redação

Uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), colocou sob análise contratos públicos, emendas parlamentares e repasses milionários destinados a organizações comandadas pela empresária Karina Ferreira da Gama.
Um levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pelo g1 identificou R$ 184,76 milhões em contratos, patrocínios e emendas destinados a duas entidades presididas pela empresária, que também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem. Desse total, pelo menos R$ 133,18 milhões tiveram o pagamento confirmado.
As organizações envolvidas são o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Os recursos foram destinados a projetos nas áreas de tecnologia, educação, cultura e serviços públicos.
A maior parte dos valores está relacionada a um contrato firmado em junho de 2024 entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para a instalação e operação de 5 mil pontos de internet Wi-Fi gratuita em comunidades da capital paulista.
Inicialmente avaliado em R$ 108 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 49,18 milhões, alcançando R$ 157,18 milhões. Segundo a administração municipal, aproximadamente R$ 113,9 milhões haviam sido pagos ao instituto até maio de 2026.
A Polícia Civil de São Paulo identificou possíveis irregularidades na execução do serviço. Em um dos períodos analisados, os investigadores estimaram que os trabalhos realizados correspondiam a cerca de R$ 43 milhões, enquanto a entidade já havia recebido R$ 69 milhões.
A diferença de R$ 26 milhões passou a integrar as apurações
Além do contrato municipal, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP). Os recursos foram direcionados a projetos educacionais e esportivos.
Em uma das iniciativas, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou problemas na execução e na prestação de contas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação rejeitou a documentação apresentada e determinou a devolução dos valores transferidos.
A Polícia Federal também investiga uma transferência de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment, realizada por uma empresa com ligação familiar a uma fornecedora de um dos projetos financiados com recursos públicos.
Os investigadores procuram esclarecer se parte do dinheiro destinado a iniciativas sociais e educacionais foi redirecionada para a produção cinematográfica.
Outras emendas parlamentares destinadas à Academia Nacional de Cultura também aparecem no levantamento. Entre os parlamentares citados estão Bia Kicis, Marcos Pollon e Gil Diniz. Parte desses valores, entretanto, não chegou a ser liberada às entidades.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de repasses públicos às organizações ligadas à empresária enquanto as apurações avançam.
O Tribunal de Contas da União (TCU) também realiza uma auditoria para verificar possíveis irregularidades relacionadas à utilização de recursos federais, incentivos fiscais e emendas parlamentares na produção de Dark Horse.
Karina Ferreira da Gama nega que o filme tenha sido financiado com dinheiro público. A empresária afirma que os recursos utilizados na produção são de origem privada e estrangeira.
A Prefeitura de São Paulo também declarou que não identificou irregularidades na contratação do Instituto Conhecer Brasil e negou que recursos municipais tenham financiado o longa-metragem.
Mario Frias, por sua vez, nega qualquer desvio e sustenta que suas emendas foram destinadas a projetos sociais regularmente estruturados.
As investigações continuam, e ainda não há decisão judicial definitiva sobre a origem dos recursos utilizados na produção do filme.
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