Netinho Reis, o pé-frio das eleições. Apoio a Paes pareceu compromisso de família, enquanto entusiasmo ficou com Flávio
Por Redação

Prefeito de Duque de Caxias apoiou Eduardo Paes para governador e Flávio Bolsonaro para presidente, mas a diferença de protagonismo nas campanhas chamou atenção. Enquanto isso, problemas de transporte e infraestrutura seguem na pauta da cidade.
As eleições de 2026 terminaram e deixaram uma situação curiosa para o prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB). O gestor apoiou Eduardo Paes (PSD) para governador do Rio de Janeiro e Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República. Nenhum dos dois saiu vitorioso.
Mas, além da coincidência eleitoral que pode render ao prefeito o apelido irônico de “pé-frio”, outro aspecto chama atenção: a diferença de envolvimento público de Netinho nas duas campanhas.
Apoio a Eduardo Paes: convicção política ou compromisso familiar?
Eduardo Paes contou com uma importante aliança política na Baixada Fluminense, construída com a participação de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e tio de Netinho.
A aliança ganhou ainda mais importância com a escolha de Jane Reis, também integrante da família, para a vice na chapa de Paes.
Washington teve papel central na articulação estadual, enquanto Jane participou diretamente da disputa pelo governo do Rio.
Nesse cenário, o apoio de Netinho a Eduardo Paes era politicamente esperado. Afinal, o candidato a governador tinha sua própria tia como companheira de chapa.
Entretanto, a diferença de exposição do prefeito nas duas campanhas permite uma leitura curiosa: o apoio a Paes teria sido motivado principalmente pela aliança familiar, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro despertou maior envolvimento político.
Não há elementos suficientes para afirmar quais foram as motivações pessoais do prefeito, mas o contraste entre suas agendas públicas merece atenção.
Com Flávio Bolsonaro, o entusiasmo ganhou as ruas
Na campanha presidencial, Netinho Reis ganhou visibilidade em ações de mobilização por Flávio Bolsonaro.
O prefeito participou de articulações partidárias, promoveu adesivaço e inaugurou comitê eleitoral em Duque de Caxias.
A movimentação contrasta com a exposição observada na campanha estadual, apesar da participação de sua própria família na chapa de Eduardo Paes.
O contraste levanta uma questão política: se a candidatura de Paes tinha tamanha importância para Washington e Jane Reis, por que a campanha presidencial ganhou tanto espaço na atuação pública de Netinho?
Enquanto as campanhas movimentavam a política, Caxias cobrava soluções
O envolvimento eleitoral do prefeito ocorreu em um período no qual Duque de Caxias continuava enfrentando desafios importantes.
O transporte público permanece entre as principais preocupações dos moradores. Reclamações sobre atrasos, condições dos ônibus e dificuldades de deslocamento chegaram ao Legislativo municipal.
Problemas de infraestrutura e conservação de vias também exigem respostas da administração.
Participar de campanhas eleitorais é um direito de qualquer prefeito. Mas a responsabilidade com a cidade permanece durante todo o mandato.
Enquanto as campanhas tinham comitês, adesivaços e agendas políticas, os moradores continuavam precisando de ônibus, infraestrutura e serviços públicos de qualidade.
Terminou a eleição. Agora é hora de olhar para Caxias
Netinho Reis encerrou o processo eleitoral sem comemorar a vitória de nenhuma das duas candidaturas que apoiou.
Eduardo Paes teve ao seu lado uma aliança política relevante, com Washington Reis e Jane Reis participando diretamente do projeto estadual. Já Flávio Bolsonaro contou com a mobilização pública de Netinho na corrida presidencial.
A diferença entre as campanhas deixa uma pergunta sobre as prioridades políticas do prefeito.
Mas, para a população de Duque de Caxias, a cobrança mais importante começa agora.
Porque, se nas eleições Netinho não teve motivos para comemorar, os moradores de Caxias esperam que a administração municipal encontre motivos para entregar resultados.
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