Quadrilha do Rio usava falso vale-gás para fazer empréstimos em nome de idosos
Por Redação

Uma organização criminosa do Rio de Janeiro é apontada pela Polícia Civil do Espírito Santo como responsável por um esquema que utilizava a falsa promessa de benefícios sociais para obter dados de idosos e realizar operações bancárias em nome das vítimas. O prejuízo estimado chega a cerca de R$ 2 milhões.
Segundo as investigações, dez pessoas foram identificadas como integrantes do grupo. Duas estão presas desde setembro de 2025 e outras oito foram indiciadas. A polícia afirma que todos os investigados são do Rio de Janeiro e que a organização mantinha uma espécie de “escritório” no Complexo do Alemão, na Zona Norte da capital.
Falso vale-gás era usado como isca
O esquema começava com uma abordagem aparentemente simples. Os criminosos entravam em contato com idosos dizendo que eles teriam direito a um benefício social, como vale-gás, cesta básica ou serviços ligados à assistência pública.
Durante a conversa, os suspeitos buscavam informações sobre a rotina das vítimas, incluindo os horários em que elas costumavam permanecer sozinhas em casa. Depois, uma pessoa era enviada à residência para realizar o suposto cadastro.
O procedimento, porém, serviria para obter documentos, dados pessoais e principalmente o reconhecimento facial dos idosos.
Com essas informações, segundo a Polícia Civil, os criminosos conseguiam abrir contas, fazer portabilidade de salário, antecipar o 13º, contratar empréstimos e movimentar valores existentes nas contas das vítimas.
Vítimas eram chamadas de “clientes”
Mensagens encontradas durante a investigação revelaram que o grupo adotava uma estrutura semelhante à de uma empresa.
Os idosos enganados eram chamados de “clientes”, cada fraude era tratada internamente como um “contrato” e o local utilizado pelo grupo no Complexo do Alemão era chamado de “escritório”. Os integrantes também teriam funções definidas dentro da organização.
Somente em 2025, foram registrados 58 boletins de ocorrência no Espírito Santo relacionados à modalidade de golpe investigada. A polícia estima que os prejuízos tenham alcançado aproximadamente R$ 2 milhões. Há ainda registros de atuação do grupo no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Alagoas.
Os dez investigados foram indiciados por sete crimes de estelionato contra quatro vítimas e por organização criminosa. Os quatro apontados como integrantes da cúpula do esquema podem ter agravamento das penas em caso de condenação.
A orientação das autoridades é desconfiar de abordagens feitas por desconhecidos em nome de programas sociais, principalmente quando houver pedidos de documentos, informações bancárias ou reconhecimento facial. Em caso de dúvida, a recomendação é procurar diretamente os canais oficiais do órgão responsável pelo benefício antes de fornecer qualquer informação.

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