O maior adversário de Eduardo Paes pode estar dentro da própria base
Por Wagner Paim

A campanha de Eduardo Paes ao Governo do Rio enfrenta um problema que dificilmente será admitido publicamente: a resistência dentro da própria base política.
Nos bastidores, uma frase tem se repetido entre vereadores, aliados e integrantes da oposição: “Deus me livre Eduardo Paes ganhar para governador e comandar a Prefeitura e o Governo do Estado”.
O receio relatado por políticos é de uma concentração de poder nas mãos do grupo de Paes. Na avaliação desses interlocutores, uma vitória na disputa estadual, mantendo um aliado no comando da Prefeitura do Rio, daria ao grupo influência sobre as duas principais máquinas administrativas do estado.
É justamente aí que surge uma situação curiosa. Parte dos vereadores que integra a base de Paes, em tese, deveria estar diretamente envolvida em sua campanha. Publicamente, alguns aparecem em vídeos, publicações e agendas defendendo sua candidatura. Nas conversas de rua e longe das câmeras, porém, o discurso relatado é diferente.
E há outro detalhe que chama atenção: esses mesmos aliados estariam dedicando muito mais energia e estrutura às campanhas de seus próprios braços políticos, candidatos a deputado estadual e federal ligados diretamente aos seus grupos, do que à candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Estado.
Nas ruas, a prioridade seria eleger seus nomes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. Paes aparece nas redes sociais e nas manifestações públicas de apoio, mas, segundo relatos ouvidos no meio político, nem sempre recebe o mesmo empenho quando chega a hora de colocar equipes, cabos eleitorais e estrutura efetivamente para trabalhar.
Enquanto Douglas Ruas conta com uma militância mobilizada nas redes sociais e presença de apoiadores nas ruas, Paes precisa transformar sua ampla base institucional em engajamento eleitoral efetivo. Ter vereadores e lideranças formalmente ao lado não significa, necessariamente, ter toda a estrutura desses políticos trabalhando para conquistar votos.
O motivo apresentado nessas conversas não passa necessariamente por preferência pelo adversário. A questão seria o equilíbrio de forças na política fluminense. Para esses interlocutores, Prefeitura e Governo do Estado sob influência do mesmo grupo reduziriam o espaço de negociação e ampliariam significativamente o poder de Paes.
O cenário acaba criando duas campanhas: aquela exibida nas redes sociais, com vídeos, agendas e declarações públicas de apoio, e outra que acontece longe das câmeras, onde cada grupo político trabalha primeiro para garantir a eleição dos seus próprios nomes.
O desafio de Paes, portanto, não está apenas em enfrentar Douglas Ruas e os demais candidatos. Ele também precisa transformar o apoio formal de sua base em campanha efetiva nas ruas.
Se essa resistência resultar em pouco empenho eleitoral, o maior adversário de Eduardo Paes poderá não estar apenas do outro lado da disputa.
Poderá estar dentro de casa.
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