Empresas citadas em investigação da PF receberam R$ 28,9 milhões na gestão Canella
Por Redação

A Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, realizou pagamentos que somam R$ 28,9 milhões a empresas citadas em uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado. Os repasses ocorreram durante a gestão de Márcio Canella e também após sua saída do comando do município.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, com base em contratos públicos e dados do Portal da Transparência, R$ 25,1 milhões foram pagos até 3 de abril de 2026, quando Canella deixou a prefeitura para disputar as eleições. O restante foi repassado durante a administração de Mariana Canella.
Do valor total, aproximadamente R$ 18,1 milhões foram destinados a duas empresas controladas por Márcio Samary Machado, conhecido como Márcio Nit, apontado pela Polícia Federal como suspeito de atuar na movimentação financeira do esquema criminoso investigado.
Uma das empresas beneficiadas foi a ECO 805 Comércio e Serviços, que recebeu R$ 10,44 milhões pelo fornecimento de materiais escolares à rede municipal de ensino. A outra foi a Elite Turística, responsável por serviços de transporte escolar, que recebeu R$ 7,65 milhões.
Outras três empresas também aparecem no levantamento. A FAB Mix Concretos recebeu R$ 7,16 milhões, enquanto a D A G G Tavares Projetos teve pagamentos de R$ 2,31 milhões. Já a Opção Ativa recebeu aproximadamente R$ 1,34 milhão. Os contratos envolvem serviços como construção de escola, reforma da Vila Olímpica e atividades de reboque.
A investigação da Polícia Federal apura a existência de uma organização criminosa que teria utilizado empresas e uma rede de postos de combustíveis para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita. Os investigadores buscam identificar a participação dos envolvidos e a possível utilização de contratos públicos nas operações financeiras suspeitas.
Canella é citado nas investigações sobre o suposto esquema, que também envolve empresários e agentes públicos. A apuração procura esclarecer as relações entre os investigados, as empresas contratadas e os pagamentos realizados pelo município.
Apesar de as empresas aparecerem na investigação, a existência dos contratos e dos repasses não comprova, isoladamente, que os serviços tenham sido irregulares ou que todos os recursos públicos tenham sido desviados.
De acordo com a reportagem de O Globo, a Prefeitura de Belford Roxo foi procurada para prestar esclarecimentos sobre os pagamentos, mas não respondeu aos questionamentos. A defesa de Márcio Canella também não foi localizada para comentar as informações.
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