Diego Alba vê sonho de se tornar deputado estadual chegar ao fim após decisão do TSE
Por Redação

O sonho de Diego Alba (PSDB) de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sofreu um revés decisivo na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, por unanimidade, o indeferimento do registro de sua candidatura a deputado estadual, considerando elementos que apontam possíveis ligações com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
O julgamento foi encerrado na quinta-feira (5), em plenário virtual. Os ministros rejeitaram os recursos apresentados por Alba e pela Federação PSDB Cidadania, confirmando a decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Mesmo com a candidatura contestada judicialmente, Diego Alba participou das eleições de 4 de outubro e recebeu 48.547 votos. No entanto, a votação não foi suficiente para garantir sua entrada na Alerj, já que o registro permaneceu indeferido.
Um dos principais elementos analisados pela Justiça Eleitoral foi um relatório da Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional do TRE-RJ. O documento apontou indícios de que Diego Alba teria recebido autorização de integrantes da cúpula do Comando Vermelho para realizar atividades de campanha em comunidades dominadas pela organização criminosa.
Entre as localidades mencionadas no relatório estão Jacarezinho, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Lins de Vasconcelos, Favela do Arará e Vila Kennedy, regiões onde a investigação identificou suspeitas relacionadas à atuação eleitoral do candidato.
O processo também considerou o histórico criminal de Alba, que possui uma condenação definitiva por formação de quadrilha armada em um esquema de roubos conhecido como “saidinha de banco”. Segundo os registros judiciais, ele atuava como olheiro do grupo responsável pelos crimes. A pena foi cumprida, e a punibilidade foi extinta em 2016.
Além disso, a Justiça Eleitoral analisou indícios de coação de testemunhas e possível utilização de projetos assistenciais para obter apoio político em territórios sob influência da facção.
Durante o processo, a defesa de Diego Alba contestou as conclusões do relatório de inteligência. Os advogados alegaram falta de transparência sobre as fontes utilizadas, cerceamento de defesa e ausência de provas materiais que demonstrassem qualquer acordo entre o candidato e integrantes do Comando Vermelho.
A defesa também argumentou que fotografias e vídeos de Alba em comunidades representavam atividades normais de campanha eleitoral e contato com moradores, sem comprovar envolvimento com criminosos.
Sobre a condenação anterior, os advogados sustentaram que o cumprimento da pena e a extinção da punibilidade deveriam afastar seus efeitos sobre a candidatura.
Os argumentos, porém, não convenceram os ministros do TSE. O relator, Sebastião Reis Júnior, votou pela manutenção do indeferimento e foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte que participaram do julgamento.
O Ministério Público Eleitoral também havia se manifestado contra os recursos apresentados pelo candidato.
Com a decisão, Diego Alba permanece com o registro de candidatura indeferido, impedindo que os 48.547 votos recebidos sejam utilizados para garantir sua posse como deputado estadual nas condições atuais do processo.
A decisão representa uma derrota para a tentativa de Alba de ingressar na política estadual, após uma campanha marcada por disputas judiciais sobre seu histórico criminal e os indícios de aproximação com integrantes do Comando Vermelho.
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