Projeto apoiado por Flávio pode dificultar identificação de munições desviadas para o crime
Por Redação

Uma proposta que pode dificultar o trabalho da polícia na identificação da origem de munições usadas por criminosos voltou ao centro do debate eleitoral. O projeto, que recebeu apoio do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), contraria recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) para combater o desvio de armamentos e o tráfico ilegal.
A proposta prevê acabar com a obrigatoriedade de identificação individual de munições adquiridas pelas forças de segurança. Atualmente, essas marcações ajudam investigadores a descobrir a procedência dos cartuchos e identificar possíveis desvios de arsenais oficiais para organizações criminosas.
Em 2023, a ONU recomendou o fortalecimento dos mecanismos de marcação e rastreamento de armamentos. O Brasil chegou a ser citado como exemplo positivo por adotar códigos de identificação nas próprias munições.
Segundo Bruno Langeani, especialista do Instituto Sou da Paz, retirar essas marcações prejudicaria investigações e dificultaria a identificação de responsáveis pelo desvio de munições.
Questionado sobre o assunto durante uma sabatina na TV Globo, Flávio Bolsonaro classificou a questão como um “detalhezinho”. Já no debate da Band, após ser confrontado pelo presidente Lula, o senador negou querer acabar com esse mecanismo de controle.
Especialistas alertam que a mudança pode enfraquecer o combate ao tráfico de armas e facilitar a circulação de munições desviadas para facções criminosas.
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