Rio Poupa Tempo ameaça parar após governo reter pagamentos
Por Wagner Paim

Uma diferença expressiva entre a quantidade de atendimentos informada pela empresa responsável pelo Rio Poupa Tempo e os serviços que teriam sido efetivamente confirmados por órgãos estaduais levou o Governo do Rio de Janeiro a reter parte dos pagamentos destinados ao Consórcio Central da Cidadania.
O grupo é responsável pela gestão das unidades localizadas em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e em Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Auditoria aponta diferença nos números
Segundo informações do relatório de auditoria, uma das principais divergências foi identificada nos registros referentes a junho de 2026.
O consórcio teria informado a realização de 845.086 atendimentos naquele mês. Na conferência realizada com informações dos órgãos que participam do programa, no entanto, teriam sido validados 261.783 serviços.
A diferença supera 583 mil atendimentos somente no período analisado
Entre os órgãos utilizados para a conferência dos registros estão o Detran e secretarias estaduais responsáveis por serviços disponibilizados nas unidades do programa.
Considerando o valor contratual informado de R$ 24,20 por atendimento, a divergência representa uma diferença financeira milionária. O levantamento estima em aproximadamente R$ 15 milhões o montante questionado apenas em relação a junho.
Governo realiza pagamento parcial
Diante das inconsistências identificadas, o governo estadual decidiu não liberar integralmente os valores cobrados pelo consórcio.
Nesta semana, foram pagos cerca de R$ 14 milhões brutos. O montante corresponde a dois terços dos valores mínimos contratuais que estavam pendentes referentes aos meses de maio e junho nas três unidades, além de valores relativos a abril na unidade de Duque de Caxias.
A parcela restante foi retida enquanto o Estado calcula os descontos relacionados às divergências identificadas durante a execução do contrato.
A medida busca impedir que recursos públicos sejam destinados a atendimentos que, segundo a auditoria, não tiveram comprovação correspondente nos sistemas dos órgãos estaduais.
Consórcio contesta decisão
A retenção de parte dos recursos provocou um impasse entre o governo estadual e a administração do Consórcio Central da Cidadania.
O grupo notificou formalmente o Estado e cobra o pagamento integral dos valores que considera devidos. Segundo as informações disponíveis, foi estabelecido prazo de cinco dias para a regularização.
Caso não haja acordo, o consórcio ameaça paralisar as atividades das unidades do Rio Poupa Tempo, medida que poderá afetar diretamente usuários de Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti.
Contrato entra no centro da discussão
O Consórcio Central da Cidadania mantém relação contratual com o Estado para a operação das três unidades, envolvendo serviços de implantação, operação, manutenção e disponibilização da estrutura necessária ao atendimento da população.
Até agosto do ano passado, Mauro Farias, ex-secretário estadual de Transformação Digital, integrava o quadro societário do consórcio. Farias também já esteve no centro de outra controvérsia envolvendo uma cobertura avaliada em R$ 3,5 milhões que teria sido utilizada como moradia pelo ex-governador Cláudio Castro.
Com as divergências apontadas pela auditoria e a ameaça de paralisação das unidades, o contrato passa a ser alvo de uma disputa administrativa que envolve valores milionários e pode impactar diretamente a prestação de serviços públicos à população.
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