Brigas envolvendo agentes de segurança deixaram 194 pessoas baleadas na Região Metropolitana do Rio nos últimos 10 anos
Por Redação

A presença de armas em discussões pessoais envolvendo agentes de segurança fora de serviço deixou um saldo de 194 pessoas baleadas na Região Metropolitana do Rio nos últimos dez anos. Desse total, 92 morreram e 102 ficaram feridas.
Os dados fazem parte de um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, que analisou ocorrências registradas entre 5 de julho de 2016 e 20 de agosto de 2026.
Durante o período, ao menos 135 brigas terminaram em disparos efetuados por agentes fora do horário de trabalho. Em 120 episódios houve vítimas, o equivalente a quase 89% das ocorrências identificadas.
Entre os baleados estavam agentes de segurança e pessoas que não pertenciam às forças policiais. O levantamento contabilizou 44 agentes mortos e 29 feridos. Entre os civis, foram registradas 48 mortes e 73 pessoas feridas.
Eventos e bares concentram ocorrências
As discussões armadas aconteceram em diferentes ambientes. Eventos lideram o levantamento, com 36 registros, seguidos por bares, com 35.
Também foram contabilizadas ocorrências em residências, postos de combustíveis, automóveis e estacionamentos de shopping. Houve ainda casos em transportes públicos, quiosques, boates, praças e durante conflitos no trânsito.
Os dados mostram que discussões aparentemente comuns podem assumir proporções fatais quando uma das pessoas envolvidas está armada.
Discussão em quiosque terminou com policial morto
Um dos casos mais recentes aconteceu na madrugada de 17 de agosto, em um quiosque na Avenida Lúcio Costa, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio.
Um policial penal morreu após uma troca de tiros com um policial militar. A investigação apura se os disparos foram motivados por um desentendimento ocorrido no banheiro do estabelecimento.
Outro episódio foi registrado em 19 de junho, em Campo Grande, na Zona Oeste. Uma discussão iniciada após uma briga entre crianças terminou com a morte de Fábio Ferreira da Silva. Os disparos teriam sido efetuados pelo sargento da Polícia Militar Wellington Sacramento dos Santos.
Em 27 de junho, dois homens ficaram feridos durante uma troca de tiros no estacionamento de um shopping em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Um dos envolvidos era um policial militar que estava de folga.
Passageira morreu durante briga de trânsito
No dia 7 de maio, Thamires Rodrigues de Souza Peixoto foi morta dentro de um carro de aplicativo no Pechincha, em Jacarepaguá.
O autor dos disparos foi identificado como o policial civil Frede Uilson Souza de Jesus. Segundo as investigações, ele teria discutido no trânsito com o motorista de aplicativo e atirado contra o veículo, atingindo a passageira.
Para Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, os números demonstram que as mortes e os ferimentos não podem ser tratados como casos isolados.
Segundo ele, agentes de segurança recebem treinamento e autorização do Estado para portar armas. Quando esse armamento é utilizado em conflitos particulares, o risco para todas as pessoas presentes aumenta de maneira significativa.
O coordenador defende uma discussão mais ampla sobre os protocolos para porte e armazenamento de armas fora do serviço, além da responsabilização nos casos em que agentes utilizam o armamento em situações sem relação com a atividade policial.
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