Rede municipal reforça combate ao vício em jogos e apostas
Por Redação

A dependência em apostas esportivas e jogos on-line passou a ser tratada de forma mais direta pela rede municipal de saúde do Rio. Clínicas da Família e centros municipais de saúde começaram a identificar e acompanhar moradores que apresentam sinais de vício em bets.
Durante as consultas de rotina, os profissionais fazem duas perguntas sobre a relação do paciente com os jogos. As respostas são registradas no prontuário e, caso seja identificado algum sinal de risco, a equipe realiza uma avaliação mais detalhada para definir o atendimento adequado.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o tratamento dependerá da gravidade de cada caso. Pessoas com sintomas mais leves poderão receber orientações e acompanhamento na própria unidade. Já os casos considerados graves poderão ser encaminhados para equipes multiprofissionais e serviços de atenção psicossocial.
Familiares também podem receber ajuda
O atendimento não está limitado aos apostadores. Familiares que estejam sofrendo com as consequências emocionais ou financeiras das apostas também poderão procurar acolhimento, mesmo quando a pessoa viciada ainda não estiver disposta a começar o tratamento.
A iniciativa foi criada depois que as unidades de saúde perceberam um aumento na procura por ajuda relacionada aos jogos. Entre os problemas identificados aparecem ansiedade, insônia, depressão, endividamento e conflitos familiares.
Um levantamento feito pela rede municipal encontrou 1.378 prontuários com relatos de sofrimento provocado por situações relacionadas às apostas. Entre os apostadores que buscaram ajuda, quase 60% eram homens, com idade mediana de 37 anos.
Mais da metade tinha entre 18 e 39 anos.
O estudo também identificou 25 pacientes menores de idade, sendo 22 meninos. As apostas são proibidas para menores de 18 anos, mas aplicativos e jogos de acesso rápido pelo celular têm ampliado a exposição de adolescentes.
Primeiros casos já foram identificados
Na primeira semana da nova estratégia, 3.070 pacientes responderam às perguntas durante consultas. Desse total, 22 reconheceram sentir necessidade de apostar. Outros 15 admitiram que já haviam mentido para a família para esconder quanto dinheiro gastavam com jogos.
Os profissionais da rede municipal também estão recebendo capacitação específica para identificar sinais de dependência e orientar pacientes e familiares.
Quem enfrenta esse tipo de problema pode procurar a Clínica da Família ou o centro municipal de saúde responsável por sua região. O endereço da unidade de referência pode ser consultado pelo sistema Onde Ser Atendido, da Prefeitura do Rio.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.







