Vereadora do PL faz campanha para aliado de Lula na Zona Oeste
Por Redação

A política no Rio de Janeiro costuma produzir alianças improváveis, e desta vez o cenário chama atenção na Zona Oeste. A vereadora Gigi Castilho, filiada ao PL, vem fazendo campanha para candidatos do Republicanos ligados ao grupo político do ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho.
Gigi já apareceu em campanha ao lado de Waguinho, candidato ao Senado, e também apoia Leandro do Waguinho, candidato a deputado estadual pelo Republicanos. A movimentação chama atenção porque o próprio PL, partido da vereadora, possui candidatos na disputa pelo Senado no Rio.
Em agosto, Gigi participou de uma carreata em Nova Sepetiba, na Zona Oeste, em apoio a Leandro. A parceria foi além do ato político: a vereadora também apareceu em materiais de campanha ao lado de Leandro e Waguinho, incluindo santinhos, adesivos de carros e outras peças eleitorais.
Enquanto Gigi pede votos para Waguinho ao Senado, o PL lançou Carlos Portinho e Carlos Jordy para as duas vagas em disputa. Ou seja, uma parlamentar filiada ao partido trabalha eleitoralmente por um candidato adversário de nomes da própria legenda.
O nome de Leandro apareceu em uma reportagem publicada pelo UOL em julho sobre um convênio de R$ 35 milhões firmado entre a PortosRio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o levantamento do veículo, a mulher, a filha e um sobrinho de Leandro receberam juntos R$ 41 mil como bolsistas.
A reportagem analisou uma folha de pagamentos de R$ 8,9 milhões e identificou centenas de bolsistas com algum tipo de ligação com políticos, partidos, antigos integrantes da Prefeitura de Belford Roxo e aliados políticos.
O UOL também informou que Waguinho trabalhou na área de Relações Institucionais da PortosRio antes de deixar a função para disputar o Senado.
A PortosRio contestou a caracterização apresentada na reportagem de que teria contratado uma rede eleitoral. A estatal afirmou que não celebrou contratos individuais com os bolsistas e declarou estar comprometida com a correta aplicação dos recursos públicos.
Gigi está na mira de investigação envolvendo creches
A aproximação com o grupo de Waguinho acontece enquanto Gigi Castilho também enfrenta uma investigação relacionada a creches comunitárias conveniadas à Prefeitura do Rio.
Em novembro de 2025, a Delegacia de Defraudações da Polícia Civil realizou uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos destinados a creches na Zona Oeste. Gigi, o marido e a filha estiveram entre os alvos de mandados de busca e apreensão.
Segundo a investigação, empresas de fachada teriam sido utilizadas para justificar gastos das instituições por meio de notas fiscais supostamente superfaturadas.
Sete creches entraram na mira da Polícia Civil. Entre elas estavam unidades localizadas em Sepetiba, Santa Cruz e Realengo.
Uma das instituições investigadas recebeu aproximadamente R$ 9 milhões em apenas seis meses. No mesmo período, segundo relatório financeiro citado pela investigação, foram realizados 816 saques em dinheiro, que totalizaram cerca de R$ 1,5 milhão.
Antes da operação policial, o Tribunal de Contas do Município já investigava contratos das creches ligadas à família da parlamentar. Entre os pontos analisados estavam contratos firmados pelas instituições com padarias pertencentes a parentes de Gigi.
Polícia passou a investigar “alunos fantasmas”
A Polícia Civil passou a apurar suspeitas envolvendo contratos de aluguel e a possível manutenção de “alunos fantasmas” nas listas das instituições para garantir repasses públicos.
De acordo com reportagem do RJ2, as unidades investigadas receberam mais de R$ 70 milhões da Prefeitura do Rio desde 2019 para atender crianças da rede municipal.
Um dos episódios investigados envolve aproximadamente R$ 223 mil registrados como pagamento de aluguel. A mulher apontada na documentação como beneficiária afirmou à polícia que nunca recebeu o dinheiro e levantou a suspeita de que sua assinatura tivesse sido utilizada indevidamente.
Depoimentos de ex-funcionários também levaram os investigadores a analisar a suspeita de que crianças que já não frequentavam determinadas unidades continuariam aparecendo nas listas utilizadas para calcular os repasses públicos.
Gigi Castilho nega participação em irregularidades. A vereadora declarou que sua atuação nas creches era exclusivamente pedagógica e que não tinha responsabilidade sobre contratos, pagamentos, prestações de contas ou administração financeira das unidades.
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